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Cultura
Após visita a Reguengos

Historiador diz-se chocado com o estado da Casa António Gião

A propósito do estado de degradação em que se encontra a Casa António Gião, em Reguengos de Monsaraz, o historiador António Mota de Aguiar publicou, no blog “De Rerum Natura”, um texto intitulado “Uma história Triste” onde critica violentamente a administração da Sociedade Portuguesa de Autores pelo estado a que o edifício chegou.

António Mota Aguiar termina o seu artigo da seguinte forma: “Em vez de ‘honrar e perpetuar a sua memória’, como se tinha comprometido fazer, (a SPA) cometeu, ao seu ilustre sócio, um desagravo moral à sua memória (e não só moral, o edifício está em decadência), consentindo a destruição do ‘seu precioso recheio’”.

Antes, o historiador relata cruamente a forma como encontrou a casa, numa visita que efetuou em 15 de abril de 2011, afirmando a certa altura: “Resumo o que vi no interior: As paredes da casa têm infiltrações, em particular na cozinha, com um enorme buraco. Algumas partes das madeiras estão fixadas com fita-cola. As carpetes, que foram outrora, penso, Arraiolos, estão esfarrapadas, totalmente corroídas pelo tempo. Os móveis estão desleixados. Está tudo em decadência”.

Mas, as preocupações de António Aguiar não se ficam pelo estado em que se encontra o edifício e estendem-se, sobretudo, ao espólio deixado pelo cientista afirmando: “Nos quartos há estantes onde se encontram os trabalhos de António Gião, as suas cartas pessoais, a correspondência com universidades europeias, trabalhos científicos seus, traduzidos em vários idiomas. Há dezenas de trabalhos do cientista, dezenas de livros de estudo, monografias, dicionários, edições científicas, etc., etc. Nunca foi feita uma seleção e qualificação para fins de consulta bibliotecária dos livros existentes. Estando ali, desleixados como estão, o tempo vai destruindo todo este material. Era bem melhor oferecer estas obras a bibliotecas nacionais interessadas”. E mais adiante volta ao tema: “O espólio científico e cultural de António Gião está num estado deplorável de desordem, e, ao longo dos 30 anos, devem-se ter perdido muitos documentos. Todo o edifício está em decadência e, dentro de poucos anos, com mais algum inverno rigoroso, ficará em ruínas. Compreendi por que razão é “rigorosamente proibido tirar fotografias dentro de casa”!

PALAVRA contactou, mais uma vez, a administração da Sociedade Portuguesa de Autores para colher uma reação ao texto arrasador de António Mota Aguiar, mais uma vez sem qualquer sucesso.

Recorde-se que “por escritura lavrada em 11 de Março de 1981, D. Sophie Sipra Gião, viúva do Professor António Gião, doou à Sociedade Portuguesa de Autores, com todo o seu precioso recheio, o prédio urbano hoje conhecido como Casa António Gião, doação feita com a intenção de “honrar e perpetuar a sua memória” e para que, pondo esse prédio “à disposição de escritores, cientistas e artistas”, nele se constitua “um centro de convívio, de trabalho e de realizações culturais e científicas”, tais como “seminários, conferências, colóquios, recitais, exposições e concertos”.

Data de publicação:16-01-2012 22:22
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