Refinaria Balboa ainda ameaça o turismo de Alqueva A possibilidade da construção da Refinaria Balboa, perto de Badajoz, promovida pelo Grupo Alfonso Gallardo, continua a ser efectiva, declarou o Gabinete de Comunicação daquele Grupo empresarial espanhol à nossa redacção. A dúvida que o projecto não estaria tão morto como as autoridades portuguesas pareciam crer, despertou com o surgimento de vários camiões (portugueses e espanhóis) que ostentam a mensagem publicitária “Refinaria, si. Por el empleo”. Em declarações exclusivas ao nosso jornal, a empresa afirma: “O Grupo Alfonso Gallardo e o resto dos accionistas (BBVA, Caja Madrid, Caja Extremadura e a Sociedade de Fomento Industrial de Extremadura, Sofiex) continuam interessados no projecto porque é viável económica, técnica, social e ambientalmente e porque é uma boa oportunidade de negócio devido ao deficit de produtos petrolíferos, principalmente gasóleo e querosene que existe actualmente no mercado”. Os empresários espanhóis justificam a viabilidade da refinaria afirmando que o crescimento da procura de produtos refinados na Europa, não tem sido acompanhado com equivalente incremento da capacidade de refinação: “…a ausência de novas refinarias nos últimos 30 anos e o desaparecimento de algumas das já existentes, obsoletas e ineficientes e que não podem cumprir com os requisitos ambientais actuais, provocou um desequilíbrio estrutural no mercado dos produtos refinados com uma procura muito superior à oferta disponível…”. E concluem: “A Refinaria Balboa resolverá este deficit de produtos petrolíferos”. Apesar do interesse manifestado na construção da refinaria, o Grupo Gallardo descarta qualquer responsabilidade na campanha publicitária veiculada nos camiões, afirmando que: “... os cartazes publicitários nos camiões foi uma iniciativa das próprias associações de transportadores que trabalham na Extremadura e dos grupos de cidadãos a favor do projecto da Refinaria Balboa”. Nesta data os responsáveis do projecto esperam a declaração de impacto ambiental que deverá ser emitida pelo Ministério do Ambiente espanhol. Recorde-se que, como PALAVRA publicou em Fevereiro de 2009, José Roquette considerou que a construção da Refinaria constituía “um atraso para o Alentejo” e prometeu parar com o investimento no Parque Alqueva caso o projecto fosse para a frente. Os responsáveis pela SAIP (Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações) promotora do Parque Alqueva e da APA (Associação de Promotores de Alqueva) ficaram todavia mais tranquilos com a resposta dada pelo Governo Português que, em Junho de 2009, se pronunciou pela reformulação do projecto, de forma a que as descargas dos efluentes da refinaria se fizesse para barragens espanholas. |