comemora 25 anos a cantar... com novo projecto
Querendo consolidar a sua formação musical com as suas raízes alentejanas, Mário Moita lança o seu novo projecto – Trovadores do Sul.
Juntar o piano à musica tradicional alentejana é uma ideia que surge em jeito de comemoração – Aproveitando o facto de fazer 25 anos que comecei a cantar, precisamente nas festas de Stº António, em Reguengos, esta ideia torna o projecto aliciante e inovador;
Como "filho da terra", mostrou-nos no passado dia 9 de Junho, na apresentação do seu novo projecto, em Reguengos, que se pode "fugir ao tradicional e manter as raízes".
Jornal Palavra – Como surgiu este projecto?
Mário Moita – Foi uma ideia que cresceu ao longo destes últimos anos. Três dos constituintes deste quarteto, passaram pela tuna Seistetos, da Universidade de Évora, a qual tem uma grande parte de música tradicional. E aí surgiu a ideia de formarmos um grupo dedicado exclusivamente à música tradicional alentejana.
JP - Em que consiste o projecto Mário Moita e os Trovadores do Sul?
MM – É um projecto com reportório alentejano. Inclui o piano, um contra baixo, acordeão e cavaquinho. Tudo junto dá uma sonoridade diferente, mas mantém sempre as raízes alentejanas. À priori, pensamos que o piano não é um instrumento tradicional alentejano, é verdade, mas o piano existe no Alentejo hà 200 anos, por isso não é descabido tocar música alentejana ao piano… No ano que passou, apresentei pela 1ª vez, no Japão, a música alentejana ao piano. Correu muito bem, por isso penso que com o Quarteto ainda vai resultar melhor!
JP - Que objectivos pretendem alcançar?
MM - Fugir ao tradicional e manter as raízes. Conseguir levar este projecto aos quatro cantos do mundo. Representando sempre Portugal e o Alentejo. Queremos também, com este projecto, chegar às comunidades portuguesas no estrangeiro. Consideramos este projecto Ouro sobre Azul para esse objectivo.
JP - Quem o constitui?
MM - Somos quatro. É constituído pelo Luís Trindade que é acordeonista e vocalista, o Xavier de Sousa que toca cavaquinho e também canta, o baixista Bruno Rodrigues e eu ao piano. É uma junção de várias escolas. Através das diferentes experiências musicais, penso que a experiência clássica de um dos elementos é um apoio excepcional para o projecto. O ponto forte do grupo é sem duvida as vozes que o compõem. É um grupo somente de músicas tradicionais alentejanas.
JP - Porquê apresentá-lo em Reguengos e nas Festas de Stº António?
MM- Após vários ensaios, pensámos que estava na hora de o apresentar, aproveitando o facto de eu fazer 25 anos que comecei a cantar, precisamente nas festas de Stº António, em Reguengos. Na altura, em 81 pertencia ao CPR – Coro Paroquial de Reguengos e foi-me dada a possibilidade de cantar um tema a solo – o Fado do Emboçado. Foi assim que surgiu a ideia de apresentarmos este projecto, em forma de comemoração. Celebro, também 7 anos que lancei os "Sons Ibéricos" aqui em Reguengos, penso que este projecto é uma forma de agradecimento, tanto ao público como ao Município que me tem apoiado nos meus projectos. Desta forma, a apresentação deste projecto faz todo o sentido ser cá em Reguengos também.
JP - Em termos de agenda? Existe mais alguma actuação prevista?
MM - Existem vários contactos com imensas Câmaras. Estão com grande receptividade ao projecto. Mas em concreto, ainda não existe nada agendado.
JP - E Perspectivas de futuro?
MM - São muito boas. Existe, como referi, uma grande receptividade pela diferente constituição do grupo, com o piano e o contrabaixo. Penso que dará uma grande mais valia à música tradicional alentejana, pela diversidade e qualidade que consegui angariar, digamos assim, para este projecto.
JP - Pretendem levá-lo Além Fronteiras?
MM - Sem dúvida. Estou já a realizar alguns contactos pelo continente Norte-americano, nomeadamente pelo Canadá e pelos Estados Unidos. É um projecto para ir Além Fronteiras.
JP - Tendo uma carreira a solo, a nível mundial, porquê criar mais este projecto?
MM - Este projecto tinha que surgir, já estava na "carteira" há imenso tempo! É um projecto muito bonito, já deveria ter surgido, quem sabe hà 10 anos atrás. Surgiu agora, mas ainda vem muito a tempo. Sendo ele conciliado com os outros dois projectos – "Fado ao Piano" e os "Sons Ibéricos".
JP - Será viável a conciliação dos três projectos?
MM - Sim. O mercado Português é muito pequeno. Está manipulado, controlado por produtoras e se nós tivermos algo diferente para oferecer, sem dúvida que temos mais mercado de trabalho, tendo, assim, públicos diferentes. Como exemplo: No ano passado estive em Faro, com os "Sons Ibéricos", dificilmente voltaria com o mesmo projecto. Assim, com o quarteto, em principio vou lá estar novamente.
JP - Nos seus espectáculos, poderemos encontrar sempre estes três projectos juntos? Ou são Independentes?
MM - Podem ser projectos independentes. Mas a minha ideia é fazer a primeira parte do espectáculo de "Fado ao Piano" e a segunda com os "Trovadores do Sul". Nas festas de Stº António o espectáculo foi só com os "Trovadores do Sul". O "Fado ao Piano" não foi concebido para espaços abertos, vejo-o mais noutro tipo de ambientes.
JP - Entre os "Sons Ibéricos" e os "Trovadores do Sul" existe compatibilidade a nível de espectáculos?
MM- Não. São projectos diferentes e ambos muito cansativos. Requerem muita energia. Conciliar os dois no mesmo espectáculo é extremamente complicado.
JP - Existe mais algum projecto na manga?
MM- Existe o "Fado ao Piano". Este projecto era uma tradição de 1870. Está previsto o lançamento de um CD, mas isso é um projecto futuro, falaremos dele à posteriori!!!
JP - E a gravação de um CD para os "Trovadores do Sul"?
MM - Vamos ver como o projecto evolui. Mas é sempre aliciante pensar em tal. Com a sonoridade que conseguimos atingir, será um objectivo a médio prazo, muito interessante…